Alguns anos em 4 meses
A sensação é essa: muitas
emoções em um curtíssimo espaço de tempo. Na semana passada, exatamente no dia
23 de maio de 2018, eu completei quatro meses inteiros nessa Portugal
maravilhosa. APENAS 4 em que eu já me sinto uma carta dentro do baralho. Orgulho de mim! (apesar do chororô de saudade da minha família e
amigos ser constante, principalmente na semana que antecede a fatídica menstruação).
Portugal maravilhosa
porque eu vou para onde quero, seja qual for o horário, com um baita sentimento
de segurança (pra quem sai de uma vida inteira em São Paulo, essa questão passa
a ser primordial, tipo, foda-se o aluguel – já vou explicar).
Mas também as coisas não
foram sempre assim. Passei o primeiro mês olhando para trás para ver se alguém
me seguia enquanto eu fazia o caminho a pé de volta pra casa. E era tarde da
noite, afinal, na terceira semana de residência, eu já tinha um contrato de trabalho
para chamar de meu. A situação dessas olhadelas deu uma piorada quando um
taxista português fez questão de esfregar na minha cara que eu estava morando
na pior zona do país. Pior zona? Tirando do bolso aquele monte de aluguel? Como
eu poderia saber?
Os arredamentos são caros
e ficam ainda piores na temporada de verão quando a Europa inteira vem para
Lisboa para tirar uma lasquinha de um dos melhores climas entre os países
europeus – depois vem a Espanha. Mas aqui entra o foda-se que compensa a
liberdade de ir e vir sem medo. Não mudei pra ficar rica ou para juntar
dinheiro. Não mudei para empreender, muito menos para fazer transferências
mensais para o Brasil. Mudei para viver algo diferente daquilo que passou a ser
sem graça. Mudei pra voltar à vida e recomeçar – seja qual for esse recomeço.
Agora, deu pra entender a compensação?
P.S.: falando em mudanças,
piquei a mula do lugar onde o taxista havia classificado como “a pior do país”.
Pra tirar a zica, vim passar uma temporada na praia, em Monte Estoril. E puta
que o pariu!!!! Isso aqui é o paraíso! Tudo bem que eu demoro uma hora e trinta
e cinco minutos para chegar ao trabalho. Na volta pra casa, depois de resolver
piça atrás de piça, eu saio do comboio e dou de cara com um marzão infinito e o
ruído das ondas a quebrar nas pedras. Olho mais para baixo e vejo uma extensa
faixa de bike onde várias pessoas suam a camiseta enquanto pedalam. Olho para o céu e, quando está na época da
graça da Lua Cheia, vejo todo o seu brilho refletir na água. Paro e respiro
fundo. Mais uma vez é a tal da compensação que vale a pena.

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