[A SEXUALIDADE E O FEMINISMO]
Vasculhando sobre o tema, encontrei um estudo da psicóloga e coordenadora da SOF (Sempreviva Organização Feminista) sobre o tema que intitula este post.
Achei muito interessante a abordagem, porque nos conta um pouco sobre a construção da sexualidade feminina, a quebra de tabus e paradigmas que vivemos até hoje.
É história? É. Mas só assim para podermos entender a visão de uma época e como, aos poucos, abrimos mais espaço para as nossas conquistas diárias.
UM POUCO DE HISTÓRIA
Na primeira onda feminista não se falava sobre a sexualidade feminina.
Como vimos aqui, naquela época (século XIX), as reivindicações estavam voltadas para questões como o direito ao voto e à vida pública.
Devido às mudanças que favoreciam a maior autonomia das mulheres, como o trabalho assalariado, o anticoncepcional, o direito à vida pública, entre outras questões, a segunda onda feminista, que aconteceu nos anos 60, foi mais exploratória e expandida no tema sexualidade.
Nessa retomada, dois aspectos forma questionados:
1 - o questionamento da separação entre pessoal e político;
2 - o questionamento da vinculação entre sexualidade e maternidade, colocando a importância de desenvolver a autoestima da mulher e a necessidade de a sexualidade ser vista a partir de relações de intimidade.
Dentro disso, a denúncia de exploração vivida pelas mulheres, inclusive o estupro dentro do casamento, a construção de uma consciência sobre assédio sexual e, enfim, a redefinição das relações entre homens e mulheres no conjunto das relações sociais, também contam.
O movimento feminista questionou a supremacia masculina nas relações sexuais e defendeu as mulheres como seres sexuais, abordou a necessidade de conhecimento do próprio corpo e do desejo (não por meio do desejo do outro),
reivindicou o prazer sexual feminino e o papel do clitóris, e questionou o coito como a única forma de relação sexual.
Num primeiro momento, o movimento feminista foi bastante influenciado pelas teorias de Masters e Johnson, Shere Hite e Kinsey, enfatizando a importância do conhecimento do próprio corpo e como saber excitá-lo adequadamente.
Com certeza esse foi um passo importante e fundamental para muitas mulheres que nunca haviam ouvido falar do clitóris ou que jamais haviam se atrevido a olhar os genitais.
Porém, posteriormente, houve o desenvolvimento da consciência de que o corpo, com suas zonas erógenas e terminações nervosas, tem um papel importante, porém não exclusivo, na sexualidade.
Inicialmente, dentro do feminismo, se consolidou uma análise hegemônica, significativamente restrita à sexualidade das mulheres brancas de classe média e heterossexuais.
Da mesma forma, até o começo dos anos 80, a política do movimento feminista em relação à sexualidade se movia dentro dos limites da heterossexualidade.
Foi, sobretudo, a partir da ação dos coletivos de feministas lésbicos que houve o questionamento da heterossexualidade como norma de cumprimento obrigatório e a colocação do desejo entre mulheres do mesmo sexo como uma possibilidade para todas (GARAIZABAL, 1992).
A sexologia e a psicanálise, desde o final do século passado, passaram a discutir e legitimar o prazer como um elemento nas relações sexuais, deixando de ver o sexo apenas a partir da função de reprodução.
O pensamento liberal, atualmente, busca passar uma imagem de que não existem relações de poder no âmbito da sexualidade entre homens e mulheres. Nas relações heterossexuais, é claro!
Nessa perspectiva, as mulheres são apresentadas como ativas e igualitárias companheiras sexuais dos homens. E são os meios de comunicação de massa, inclusive muitas revistas femininas, os principais transmissores dessa visão. As recomendações são de 'como obter um homem', 'como agradá-lo' e, mais recentemente, 'os homens abrem o jogo, falam de suas fantasias ou do que mais lhes agrada em uma mulher', etc. etc.
Essa retórica nega a amplitude da violência contra as mulheres e é voluntariamente cega à misoginia cultural e interpessoal.
O que a cultura patriarcal exige é a passividade das mulheres diante da vida. Em todos os espaços familiar, profissional, político, etc., encontramos valores da cultura dominante que provocam o desrespeito ao direito e à autonomia das mulheres, que determinam uma convivência cotidiana com a desqualificação, em particular em relação à forma como ela exerce a sua sexualidade.
Achei muito interessante a abordagem, porque nos conta um pouco sobre a construção da sexualidade feminina, a quebra de tabus e paradigmas que vivemos até hoje.
É história? É. Mas só assim para podermos entender a visão de uma época e como, aos poucos, abrimos mais espaço para as nossas conquistas diárias.
UM POUCO DE HISTÓRIA
Na primeira onda feminista não se falava sobre a sexualidade feminina.
Como vimos aqui, naquela época (século XIX), as reivindicações estavam voltadas para questões como o direito ao voto e à vida pública.
Devido às mudanças que favoreciam a maior autonomia das mulheres, como o trabalho assalariado, o anticoncepcional, o direito à vida pública, entre outras questões, a segunda onda feminista, que aconteceu nos anos 60, foi mais exploratória e expandida no tema sexualidade.
Nessa retomada, dois aspectos forma questionados:
1 - o questionamento da separação entre pessoal e político;
2 - o questionamento da vinculação entre sexualidade e maternidade, colocando a importância de desenvolver a autoestima da mulher e a necessidade de a sexualidade ser vista a partir de relações de intimidade.
Dentro disso, a denúncia de exploração vivida pelas mulheres, inclusive o estupro dentro do casamento, a construção de uma consciência sobre assédio sexual e, enfim, a redefinição das relações entre homens e mulheres no conjunto das relações sociais, também contam.
O movimento feminista questionou a supremacia masculina nas relações sexuais e defendeu as mulheres como seres sexuais, abordou a necessidade de conhecimento do próprio corpo e do desejo (não por meio do desejo do outro),
reivindicou o prazer sexual feminino e o papel do clitóris, e questionou o coito como a única forma de relação sexual.
Num primeiro momento, o movimento feminista foi bastante influenciado pelas teorias de Masters e Johnson, Shere Hite e Kinsey, enfatizando a importância do conhecimento do próprio corpo e como saber excitá-lo adequadamente.
Com certeza esse foi um passo importante e fundamental para muitas mulheres que nunca haviam ouvido falar do clitóris ou que jamais haviam se atrevido a olhar os genitais.
Porém, posteriormente, houve o desenvolvimento da consciência de que o corpo, com suas zonas erógenas e terminações nervosas, tem um papel importante, porém não exclusivo, na sexualidade.
Inicialmente, dentro do feminismo, se consolidou uma análise hegemônica, significativamente restrita à sexualidade das mulheres brancas de classe média e heterossexuais.
Da mesma forma, até o começo dos anos 80, a política do movimento feminista em relação à sexualidade se movia dentro dos limites da heterossexualidade.
Foi, sobretudo, a partir da ação dos coletivos de feministas lésbicos que houve o questionamento da heterossexualidade como norma de cumprimento obrigatório e a colocação do desejo entre mulheres do mesmo sexo como uma possibilidade para todas (GARAIZABAL, 1992).
A sexologia e a psicanálise, desde o final do século passado, passaram a discutir e legitimar o prazer como um elemento nas relações sexuais, deixando de ver o sexo apenas a partir da função de reprodução.
O pensamento liberal, atualmente, busca passar uma imagem de que não existem relações de poder no âmbito da sexualidade entre homens e mulheres. Nas relações heterossexuais, é claro!
Nessa perspectiva, as mulheres são apresentadas como ativas e igualitárias companheiras sexuais dos homens. E são os meios de comunicação de massa, inclusive muitas revistas femininas, os principais transmissores dessa visão. As recomendações são de 'como obter um homem', 'como agradá-lo' e, mais recentemente, 'os homens abrem o jogo, falam de suas fantasias ou do que mais lhes agrada em uma mulher', etc. etc.
Essa retórica nega a amplitude da violência contra as mulheres e é voluntariamente cega à misoginia cultural e interpessoal.
O que a cultura patriarcal exige é a passividade das mulheres diante da vida. Em todos os espaços familiar, profissional, político, etc., encontramos valores da cultura dominante que provocam o desrespeito ao direito e à autonomia das mulheres, que determinam uma convivência cotidiana com a desqualificação, em particular em relação à forma como ela exerce a sua sexualidade.

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