Bullying Motivacional - Esse Case é foda
O assédio na publicidade é um fato que não pode ser ignorado. Tantas e quantas colegas de trabalho que, como eu, já sofreram esse tipo de abuso.
Até que as mulheres de uma agência do Nordeste resolveram se unir para falar. Meninas da agência TagZag, vocês são foda!!!
A matéria, na íntegra, tenho o dever e orgulho de compartilhar aqui com vocês.
Para escancarar toda essa triste realidade, a agência paraibana realizou uma pesquisa nos 9 estados da região, com 200 publicitárias. Nela, entre outros números, é demonstrado que 71% das profissionais da área já sofreram assédio no trabalho. Confira abaixo o resultado de toda essa pesquisa:
Divulgada organicamente numa espécie de “boca a boca virtual”, a ação completa conta postagens nas redes sociais, envio de cartazes para agências do Nordeste e relatos que expõem o que as profissionais da área sofrem rotineiramente. Veja abaixo a confissão que chega a chocar por ser tão direta e ao mesmo tempo tão próxima:
Até que as mulheres de uma agência do Nordeste resolveram se unir para falar. Meninas da agência TagZag, vocês são foda!!!
A matéria, na íntegra, tenho o dever e orgulho de compartilhar aqui com vocês.
Agência nordestina escancara o assédio na publicidade
24 de Agosto de 2017 10h
6Por Gabriel Grunewald
A cada hora 503 mulheres
são violentadas no Brasil, segundo o Datafolha. Desse modo, a cada minuto mais
de oito delas são vítimas de violências. Se engana, ou se esforça para não ver,
quem pensa que tais atitudes acontecem só em casa ou longe de nossos olhos. No
ambiente de trabalho elas também ocorrem. Questionadas sobre assédio em
lugares públicos, 40% das mulheres com mais de 16 anos dizem já ter sofrido
esse tipo de agressão. No entanto, 66% dos brasileiros falam que presenciaram
agressão física e verbal no último ano.
Tido como um lugar com
maior liberdade e respeito às diferenças, o mercado publicitário ao invés de se
tornar palco desta necessária discussão, parece também ignorar tantos números e
casos. Preocupadas com todo esse cenário alarmante, as mulheres da agência
TagZag de João Pessoa não se calaram e criaram uma plataforma para expor tudo o
que sofrem diariamente.
Nomeado de “Esse Case é Foda”, o projeto brinca com a
predileção que o pessoal tem por cases de sucesso na propaganda e faz com que
ele seja impactado por um assunto que nem todos querem se lembrar. Pois, como
dito no início do texto, nesse um minuto de leitura mais uma mulher foi
violentada em algum lugar do país e provavelmente você já se esqueceu disto.
Para escancarar toda essa triste realidade, a agência paraibana realizou uma pesquisa nos 9 estados da região, com 200 publicitárias. Nela, entre outros números, é demonstrado que 71% das profissionais da área já sofreram assédio no trabalho. Confira abaixo o resultado de toda essa pesquisa:
Divulgada organicamente numa espécie de “boca a boca virtual”, a ação completa conta postagens nas redes sociais, envio de cartazes para agências do Nordeste e relatos que expõem o que as profissionais da área sofrem rotineiramente. Veja abaixo a confissão que chega a chocar por ser tão direta e ao mesmo tempo tão próxima:
Para
entender toda a abrangência da estratégia que consegue tratar de um assunto
vergonhoso com criatividade e disrupção, batemos um papo com Carol Crozara,
head de digital da TagZag. As ilustrações criadas pelas colaboradores da
agência para a plataforma ilustrarão a entrevista.
Da
esquerda para direita. Fileira de trás: Sheila Abreu, Renata Matos, Samara
Coutinho, Juliana Gonscar, Elis Mendes e Mariana Craveiro. Fileira do meio:
Gabriela Borges, Regina Céli, Renata Rodrigues, Caroline Crozara e Raquel
Lisboa. Sentadas no chão: Flávia Tabosa e Rebeca Matos
Qual
a história das criadoras do trabalho?
Aqui na agência tem bastante
menina engajada na causa feminista, então o assunto sempre estava na pauta.
Somos de diversos departamentos e diferentes localidades também: tem mineira,
goiana, paraibana, paulista e, independente do mercado, o assunto sempre
surgia. Muitas de nós somos amigas acima de colegas de trabalho, então isso
facilita encontrar uma pauta em comum.
Por
quê o nome “Esse Case é Foda”?
O "foda" tem dois
sentidos, né? A gente utiliza quando acha algo muito incrível e quando acha
algo muito ruim, então quisemos brincar com isso para despertar a curiosidade
do pessoal. Lançamos um teaser falando dos cases mais foda do Nordeste e,
quando entrava no hotsite, a pessoa via que estávamos falando de assédio.
Publicitário adora cases e, por estarmos conversando com esse público, tivemos
liberdade de utilizar termos específicos do mercado e deixar a linguagem mais
direta.
Você sofreu
preconceito ou dificuldades para viabilizar o projeto?
Especificamente por causa do
projeto não. Sofro preconceito e dificuldades todos os dias. hahaha É muito
difícil ser mulher na nossa sociedade e a luta feminista é algo que defendo
muito, então regularmente tenho embates e discussões sobre isso. Talvez por
estar nessa luta sempre, não vi uma reação diferente pela criação do projeto.
Nós encontramos muito apoio das meninas e percebi um mercado que está
desesperado por mais igualdade.
Maria Guimarães, do meia cinco dez, também é nordestina.
Há alguma
ligação entre a região e a gana por expor as violências
contra as mulheres?
Acho que o movimento de expor as
violências contra as mulheres está super em alta, independente do estado. Ainda
bem. As pessoas têm falado mais sobre isso, as mulheres têm lutado mais e
estamos aceitando cada vez menos a realidade que sempre nos foi imposta. Um
exemplo disso é que a campanha mapeou apenas as publicitárias do Nordeste, mas
estamos recebendo contato de meninas de todo o país se identificando com a
causa e com as situações que expomos.
Como tem sido a
resposta das agências aos dados apresentados?
Extremamente positiva. As
pessoas sabem que aquilo é uma realidade, porque as pessoas vivem isso. Não
estamos contando um grande segredo, só estamos escancarando algo que muitas
vezes fica velado. Acho que as publicitárias se viram com voz e, por isso,
receberam tão bem a campanha. Recebemos muito apoio dos homens também. Estamos
em uma sociedade bastante machista e a discussão é necessária. Acho que o
primeiro passo da campanha foi dado, que é fazer as próprias agências olharem
para dentro e repensarem seus ambientes. Afinal, somos nós que produzimos o
material que acaba impactando a sociedade como um todo. Se estamos em um
ambiente tão machista, a publicidade acaba sendo machista e retratando a mulher
da forma errada.
Há intuito de
continuidade deste trabalho?
Sim. Igualdade de gênero no
mercado de trabalho é uma luta, e lutas não podem parar. Tivemos um embrião
dessa campanha ano passado, quando mapeamos apenas o mercado de João Pessoa e
publicamos um 360 no Facebook com alguns dados. Este ano já quisemos entender a
realidade do Nordeste todo, e foi muito bem recebido. Ainda não sabemos o que
vamos fazer ano que vem, mas sei que não podemos ficar paradas.
fonte: adnews











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