As histórias que não nos contaram


Nós não somos informadas sobre essas mulheres na escola, durante centenas de aulas de História pelas quais assistimos.

Até porque os símbolos são meramente masculinos: homens fortes, guerreiros, gênios, cientistas, muitas vezes desenhados como seres inalcançáveis.

Quantas mulheres desse naipe você ouviu falar em sua época escolar, hein?

Aliás, a gente nem escuta falar que foi durante a Revolução Francesa (tô falando de 1789) que surgiram os primeiros escritos com o conceito de “feminismo”.


Foi em 1791, por exemplo, que a revolucionária ativista política (entre outros atributos) Olímpia de Gouges (pseudônimo de Marie Gouze que você vê na imagem acima pintada a óleo) compôs uma célebre declaração, proclamando que a mulher possuía direitos naturais idênticos aos dos homens e que, por essa razão, tinha o direito de participar, direta ou indiretamente, da formação das leis e da política em geral.

Embora tenha sido rejeitada pela Convenção, sua declaração é o símbolo mais representativo do feminismo nacionalista e democrático que reivindica igualdade política entre os gêneros masculino e feminino.

Citei o século XVIII, mas, obviamente, é possível encontrar o aparecimento de temas dedicados à denúncia da opressão feminina entre os séculos XV e XVIII.

Mas, não. A gente não aprende nada disso! Nem mesmo na faculdade. São minhas fontes de pesquisa que me levaram a obter essa percepção.

Pesquisas que me levaram ao livro “As cientistas – 50 Mulheres que Mudaram o Mundo”.

A autora Rachel Ignotofsky resgatou essas histórias ao longo das 127 páginas de sua obra. Além de contar a contribuição de cada uma delas às áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, o livro possui uma frase marcante dessas cientistas (um bônus valioso para adolescentes que querem se aventurar por estas áreas tão importantes).

Além das conquistas e frases em destaque, o livro também traz relatos preciosos do que elas enfrentaram na época, onde as mulheres eram proibidas de terem uma educação universitária e que, por esse motivo, faziam suas pesquisas em porões de péssima qualidade para a saúde física, emocional e intelectual.

E é aqui que quero abrir aspas para uma dessas frases:
“A primeira coisa sobre o empoderamento é entender que você tem o direito de estar envolvida. A segunda é que você tem contribuições importantes a fazer, e a terceira é que você tem de se arriscar para fazer essas contribuições.” – Mae Jamison (astronauta, educadora e médica)

Meus olhos se enchem de água só de pensar em uma guerreira desse tipo, botando a boca e a inteligência no mundo, em uma época como aquela, de pura repulsa feminina.

Por suas descobertas, por suas conquistas e pelo quanto todas elas influenciaram os direitos das mulheres, eu me comovo com o lançamento dessa obra histórica.

Que ela (a obra) cumpra o seu papel, não só de propagar o conhecimento de que mulheres também fizeram parte de fatos importantíssimos, como também o de desvirtuar essa divisão hipócrita que ainda existe em nossa sociedade atual: “isso é coisa de menino” e “isso é coisa de menina”. Xô, neném!

A luta segue. Sempre.

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