Lição de amor próprio

É a indústria da moda, é a indústria dos cosméticos, é a indústria da puta que o pariu.

A imposição de um determinado padrão de beleza – ou seja, magérrimo – é um problema que atinge milhões de pessoas, incluindo – pasmem! – a Miss Canadá.

Linda, maravilhosa, gata, sensual, empoderada, dona de um orgulho de dar inveja, ela foi a escolhida para representar o país no Miss Universo – evento realizado em janiero de 2017.

Eu simplesmente não ligo para este tipo de programa por tudo que sou contra: a começar por eleger uma mulher que vai determinar a beleza universal. Por isso, transito longe de discussões que envolvem o tema. Já passei – e ainda passo – minha vida toda ouvindo idiotices sobre o meu próprio corpo, então, não me interesso.

Até me deparar com o seguinte título, publicado pelo Hypeness:

“A resposta da Miss Canadá à pergunta de como ela se sentia sendo a mais gordinha, é uma lição de amor próprio”.

Aí, colocou o dedo na minha ferida. Fiquei olhando para as fotos dela. Dá uma olhada você também.




Aonde, meu Deus, aonde essa mulher é gorda? E se fosse, qual é o problema do seu país enxergá-la como representante da beleza de sua cultura?

Estamos falando de janeiro de 2017. Estamos falando do século XXI. Estamos falando de um novo conceito que está aí: a gordofobia.

E sim, ainda falaremos muito sobre isso, visto que, apesar de inúmeras marcas aderirem ao modelo plus size, o mundo inteiro ainda é uma bosta, o mundo inteiro ainda vai na contra mão e aponta seu dedo sujo e intolerante para a aparência.

O blog Blogueiras Feministas coloca excepcionalmente bem o conceito desse tipo de preconceito.

GORDOFOBIA
Não é necessário nenhum esforço extraordinário para compreender a gordofobia; a própria palavra sugere um acentuado desconforto e sentimento de repulsa contra pessoas gordas. Tal postura é tão enraizada em nossa cultura que a maioria das pessoas imediatamente remete pensamentos gordofóbicos às mais variadas imagens e situações: por exemplo, acham inaceitável uma mulher gorda vestir roupas justas ou frequentar a praia de biquíni; sentem desprezo por um homem obeso que come prazerosamente na praça de alimentação do shopping. Há um vasto leque de imagens negativas que demonstram como pessoas gordas são percebidas na sociedade, quase sempre representadas como desagradáveis e repulsivas.

Siera Bearchell, a representante canadense, depois de apedrejada pela mídia, jornalistas, comentaristas do programa aqui no Brasil (não vou nem colocar aqui os comentários maldosos e cruéis desse tipo de gente que se acha superior – a quem, meu Deus? – porque me deixa emputecida só de lembrar), além de muitas mulheres criticando sobre o seu peso, ela dá a melhor resposta do mundo:

“Fiquei quase sem palavras. Pensei: ‘Como eu me sinto por ser eu mesma?’, ‘Como eu me sinto por ser confiante comigo mesma?’, ‘Como me sinto em realizar meu sonho de representar o Canadá no palco do Miss Universo?’, ‘Como me sinto sendo um exemplo para tantas jovens mulheres que têm dificuldades de encontrar alguém para admirar?’, ‘Como me sinto redefinindo a beleza?’. Minha resposta: Eu me sinto ótima!”

Mil e um motivos para continuar não assistindo uma merda dessas. Duzentos milhões de fundamentos para que eu vire fã de Siera. Obrigada, de nada.


Fonte: Blog Feministas (CLIQUE AQUI PARA ACESSAR) / Hypeness (matéria na íntegra, CLIQUE AQUI)

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